Artigo: De volta às raízes

De volta às raízes
A ideia de cultivar alimentos nas nossas cidades não é nova.
Antigamente, as cidades desenvolviam-se em torno da ideia de comida. Não existe a ideia de ser amigo do ambiente, mas porque simplesmente faz sentido. Cultivar alimentos na cidade era essencial para garantir a resiliência e a sobrevivência dos seus cidadãos.

Em Portugal, existe uma grande tradição das hortas urbanas. Os portugueses eram e ainda são conhecidos como grandes horticultores urbanos.
Um outro exemplo, remonta à época de Luís XIV que decidiu usar as catacumbas de Paris para cultivar os famosos cogumelos de Paris.
Mais recentemente, no princípio do século XX, a cidade de Detroit (EUA) pediu aos seus cidadãos que cultivassem todas as terras vazias existentes. A ideia foi rentabilizar estes terrenos, aumentar a independência e resiliência da cidade durante tempos difíceis.

Entretanto, a tecnologia e a globalização conquistaram o mundo e um pouco e pouco desalagaram-nos o lugar e de como os nossos alimentos são cultivados.
É difícil imaginar que hoje em dia, em média, na Europa, os alimentos percorrem 1.500 quilómetros até chegarem aos nossos pratos.
Um facto ainda mais preocupante: neste momento, cada dólar gasto em comida custa à sociedade o dobro do que a quantia em serviços de saúde, ambiente e economia. Isto deve-se parcialmente ao nosso sistema económico linear que tira, faz e desperdiça.
A solução para isto seria olhar para a natureza, onde o desperdício de um se torna um bem para o outro, criando cascatas de nutrientes em catadupa. É exactamente isto que a economia circular tenta replicar.
Este tipo de economia defende um ciclo de produção onde o desperdício não existe porque não é visto como tal, mas sim como um bem com capacidade de criar valor.

Além disso, as pesquisas sugerem o melhor caminho para que as comunidades urbanas possam contribuir para o fim de combater as alterações climáticas reduzindo o desperdício, comendo mais alimentos locais e menos carne.
É esta a nossa missão em NÃM. Queremos voltar a ligar as pessoas ao que comem. Queremos cidades construir e comunidades resilientes para garantir os alimentos na cidade. Esperamos também ajudar os cidadãos a retomar uma ligação à terra partilhando a nossa paixão pelos sistemas naturais, pela alimentação e pela economia circular.
Por isso, urge implementar modelos circulares nas nossas cidades para transformar o desperdício em alimentos frescos, locais e saudáveis é cada vez mais relevante.
Por último, não devemos pedir à natureza que produza como as nossas fábricas, mas que as fábricas produzam como à natureza.
Do desperdício ao sabor.

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