
Resiliência, a palavra que todos devem aprender
Olhamos para o mundo, para os seus acontecimentos, para as incertezas, para as inflações, para a escassez de recursos e de alimentos aquando da existência de um conflito. E é nesta altura que, mais do que em qualquer outra, compreendemos a importância da palavra, resiliência.
Começamos pela resiliência pessoal, capacidade única que um indivíduo aprende a enfrentar crises e a responder a desafios e incertezas.
Actualmente, podemos definir resiliência comunitária como a capacidade de um grupo para absorver perturbações e continuar a operar com o mesmo objectivo, tentando manter um equilíbrio específico dentro da sua comunidade.
As comunidades como um todo aprendem com os desafios da mesma forma que um indivíduo aprende. Lentamente, sim, mas uma comunidade que não aprende com os desafios do passado só se tornará menos resistente à medida que os mesmos problemas voltarem a desafiá-la novamente.
Mas então, o que torna uma comunidade resiliente?
As pessoas, os sistemas de pensamento, a adaptabilidade, a transformabilidade e a sustentabilidade. Para que uma comunidade dure, precisa de ser sustentável para todos os seus membros, outras comunidades, gerações futuras, e ecossistemas dos quais dependem.
E é aí que nos deparamos com um problema. A dependência de sistemas e indústrias alimentares, de comunicação, de energia, etc. é gigante. Não somos sustentáveis e embora a procura e apresentação de soluções nesta direção já esteja a segurança, ainda caminhamos lentamente, ou pelo menos, não o suficiente rápido para evitar aquilo que nos vai chegar como consequências de guerras e outras crises globais.
Muitas empresas no mundo inteiro enfrentaram perturbações e dificuldades extremas durante os últimos dois anos (no contexto da covid-19). Para muitas destas organizações, a pandemia poderia ter sido o “golpe fatal”, no entanto, algumas delas não só sobreviveram, como também prosperaram.
Quando atingidas pelas dificuldades, redobraram os seus esforços, ajustaram-se e viram na pandemia uma oportunidade para acelerar a transformação, construindo capacidades e introduzindo novas formas de trabalho. Agora vêm os seus esforços para compensar, ajudando-as a competir de forma mais eficaz e a aumentar a sua resiliência a qualquer crise futura.
“Construir resiliência significa orientar intencionalmente o processo de adaptação do sistema numa tentativa de preservar algumas qualidades e permitir que outras se desvaneçam, tudo isto para manter a essência - ou “identidade” - do sistema”.
Este tipo de cooperação social e económica é aquilo que tentamos praticar, de forma circular, para diminuir a vulnerabilidade da comunidade, reforçando a subsistência e a sobrevivência do grupo urbano.
Por cá, tentamos ser o exemplo que para nós é essencial, quer à escala individual, local, regional, nacional ou mesmo global. O nosso foco está direcionado para agir primeiramente naquilo que está à nossa disposição; de recursos já existentes, que depois se tornam bens essenciais, locais, dos quais também podemos fazer uso para consumo.
Na Nãm, escolhemos olhar para as borras de café como um recurso precioso, algo que não se traduz em desperdício, mas sim em ganho. Deliciosos cogumelos são produzidos a partir desta matéria. Não só nós, seres humanos, beneficiamos de um alimento fresco e nutricionalmente rico, como também o planeta e o ambiente são poupados e protegidos neste processo. É aqui que reside a nossa resiliência, em encontrar soluções que nos permitam continuar a criar de forma local e sustentável, sempre com consciência ecológica.
É nesta prática que damos conta do verdadeiro significado de resiliência comunitária na agricultura urbana; adotamos mudanças, reduzimos impactos e melhoramos condições através da sobrevivência, adaptabilidade, evolução e crescimento, a curto e a longo prazo.
Além disso, existem também algumas provas de que a agricultura urbana pode melhorar a resiliência ecológica, tendo potencial para contribuir para comunidades urbanas mais sustentáveis e resilientes, pelo seu papel central na implementação de estratégias de economia circular ao nível da cidade, ao mesmo tempo que contribui para restaurar os ciclos naturais e os serviços ambientais dos ecossistemas. Acrescentando ainda uma mais-valia no combate à solidão (tão evidente e presente nos últimos dois anos) envolveu pessoas, criando emprego e actividades, dinamizando vidas e comunidades, sócio e culturalmente.
É sobretudo dentro destes parâmetros que tentamos atuar, conectar pessoas, aprender, instruir, em conjunto e de forma dinâmica e saudável.
Cultivar e promover a resiliência dentro de nós à medida que façamos crescer cogumelos e que contribuamos para um sistema económico circular, sem desperdício e resiliente à sua medida.
Deixamos o desafio... em que bocadinho da sua vida se pode tornar mais resiliente?
Artigo escrito por Mafalda Martins.

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